Doença de Ménière: sintomas, diagnóstico e tratamento pelo otorrinolaringologista

A doença de Ménière é um distúrbio do ouvido interno que causa vertigem, perda auditiva, zumbido e plenitude auricular. Saiba como o otorrinolaringologista Dr. Lucas Miranda diagnostica e trata essa condição.

A doença de Ménière é um distúrbio do ouvido interno que provoca episódios recorrentes de vertigem intensa, perda auditiva flutuante, zumbido (tinnitus) e sensação de plenitude auricular. Embora não tenha cura definitiva, o otorrinolaringologista dispõe de recursos eficazes para controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

O que é a doença de Ménière?

A doença de Ménière é uma afecção do labirinto membranoso, estrutura do ouvido interno responsável tanto pela audição quanto pelo equilíbrio. A condição é caracterizada pelo acúmulo excessivo de endolinfa — o fluido que preenche o labirinto —, fenômeno denominado hidropisia endolinfática. Esse aumento de pressão provoca os sintomas clássicos da doença.

A doença afeta tipicamente um único ouvido (unilateral), embora em cerca de 30% dos casos possa evoluir para comprometimento bilateral ao longo dos anos. A prevalência estimada é de 50 a 200 casos por 100.000 habitantes, com maior incidência entre adultos de 40 a 60 anos.

Causas e fatores de risco da doença de Ménière

A causa exata da doença de Ménière ainda não é completamente compreendida pela medicina, mas acredita-se que envolva uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais que levam à produção excessiva ou à reabsorção deficiente de endolinfa. Entre os fatores de risco conhecidos destacam-se:

  • Histórico familiar: a doença tem componente genético identificado em parte dos pacientes.
  • Doenças autoimunes: condições como artrite reumatoide e lúpus aumentam o risco.
  • Infecções virais: especialmente do tipo herpes vírus, podem desencadear a doença.
  • Trauma craniano ou do ouvido: lesões físicas que afetam o ouvido interno.
  • Anomalias anatômicas: malformações do aqueduto endolinfático.
  • Estresse e ansiedade: fatores psicológicos podem precipitar ou agravar as crises.
  • Alta ingestão de sódio: dietas ricas em sal aumentam a retenção de líquidos no ouvido interno.

Sintomas da doença de Ménière

Os sintomas da doença de Ménière se manifestam em crises episódicas, seguidas de períodos de remissão que podem durar semanas, meses ou anos. O quadro clínico clássico é formado pela tétrade sintomática:

  • Vertigem rotatória: sensação intensa de que o ambiente está girando, com duração de 20 minutos a várias horas. As crises de vertigem costumam ser incapacitantes e frequentemente se acompanham de náuseas e vômitos.
  • Perda auditiva neurossensorial flutuante: inicialmente afeta principalmente as frequências graves e tende a variar com o tempo, podendo melhorar entre as crises. Com a progressão da doença, a perda auditiva pode se tornar permanente.
  • Zumbido no ouvido (tinnitus): frequentemente descrito como um ruído grave, de baixa frequência, tipo “ronco” ou “rugido”. Tende a se intensificar antes ou durante as crises de vertigem.
  • Sensação de plenitude auricular: pressão ou sensação de “ouvido tampado”, geralmente precede as crises de vertigem.

Além dos sintomas principais, alguns pacientes podem apresentar a chamada crise de Tumarkin (queda súbita sem perda de consciência) e hiperacusia (hipersensibilidade a sons).

Como o otorrinolaringologista diagnostica a doença de Ménière?

O diagnóstico da doença de Ménière é fundamentalmente clínico, baseado nos critérios estabelecidos pela Sociedade Barany (2015), e requer a presença de:

  • Dois ou mais episódios de vertigem espontânea com duração de 20 minutos a 12 horas.
  • Perda auditiva neurossensorial documentada no ouvido afetado, em pelo menos uma ocasião.
  • Sintomas flutuantes de zumbido ou plenitude auricular no ouvido afetado.
  • Ausência de outro diagnóstico vestibular que explique melhor os sintomas.

Para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas, o otorrinolaringologista solicita uma série de exames complementares:

  • Audiometria tonal e vocal: avalia o grau e o tipo de perda auditiva, tipicamente neurossensorial nas frequências graves nas fases iniciais.
  • Imitanciometria: avalia a função da orelha média e diferencia a perda condutiva da neurossensorial.
  • Vectoeletronistagmografia (VENG): exame que avalia a função vestibular e detecta alterações do sistema de equilíbrio.
  • Potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMP): auxiliam na avaliação da função do sáculo e do utrículo.
  • Ressonância magnética: para excluir tumores do nervo vestibulococlear (neurinoma do acústico) e outras lesões cerebrais.

Tratamento da doença de Ménière

O tratamento da doença de Ménière é multidisciplinar e individualizado. O objetivo é reduzir a frequência e a gravidade das crises, preservar a audição e controlar os sintomas contínuos como o zumbido. O otorrinolaringologista orienta o paciente sobre as diferentes abordagens disponíveis:

Tratamento clínico

  • Dieta hipossódica: a restrição de sódio (menos de 1.500 mg/dia) é uma das medidas mais eficazes para reduzir a frequência das crises, pois diminui a retenção de líquidos no ouvido interno.
  • Diuréticos: auxiliam no controle do volume de endolinfa. A combinação de hidroclorotiazida e triantereno é frequentemente utilizada.
  • Vestibulossupressores: medicamentos como betaistina são usados para melhorar a microcirculação do ouvido interno e reduzir a pressão endolinfática.
  • Antivertiginosos e antieméticos: para alívio das crises agudas de vertigem, náuseas e vômitos.
  • Reabilitação vestibular: programa de exercícios supervisionado por fisioterapeuta especializado, que auxilia na compensação vestibular e melhora o equilíbrio.

Tratamento cirúrgico

Nos casos refratários ao tratamento clínico, o otorrinolaringologista pode indicar procedimentos cirúrgicos como a descompressão do saco endolinfático, a neurectomia vestibular ou, em casos extremos com audição comprometida, a labirintectomia. A injeção intratimpânica de corticosteroide ou de gentamicina é uma alternativa minimamente invasiva amplamente utilizada antes de se optar pela cirurgia.

Doença de Ménière x vertigem posicional: qual a diferença?

Muitos pacientes confundem a doença de Ménière com a VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna), conhecida popularmente como “pedra no ouvido”. A principal diferença está na duração das crises: na doença de Ménière, os episódios duram de 20 minutos a várias horas; na VPPB, a vertigem dura apenas segundos e é desencadeada por mudanças de posição da cabeça. Além disso, a doença de Ménière se acompanha de perda auditiva e zumbido, o que não ocorre na VPPB.

Convivendo com a doença de Ménière

A doença de Ménière é uma condição crônica que exige ajustes no estilo de vida. Além da dieta hipossódica, recomenda-se evitar cafeína e álcool, controlar o estresse, manter hábitos regulares de sono e evitar ambientes com ruídos intensos. O acompanhamento regular com o otorrinolaringologista é essencial para ajustar o tratamento conforme a evolução da doença.

Consulte o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo

Se você apresenta episódios recorrentes de vertigem intensa associados a zumbido, perda auditiva ou sensação de plenitude no ouvido, procure avaliação especializada. O Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo, realiza o diagnóstico completo da doença de Ménière e oferece tratamento individualizado para controlar os sintomas e preservar sua qualidade de vida.

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