A sinusite aguda é uma das condições mais comuns atendidas pelo otorrinolaringologista. Ela se caracteriza pela inflamação dos seios paranasais — cavidades preenchidas por ar localizadas ao redor do nariz e dos olhos — com duração de até quatro semanas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e garantir a recuperação completa do paciente.
O que é sinusite aguda?
A sinusite aguda é definida como a inflamação da mucosa que reveste os seios da face, geralmente desencadeada por infecções virais, bacterianas ou fúngicas. Os seios paranasais mais afetados são o maxilar, o frontal, o etmoidal e o esfenoidal. Quando a inflamação ocorre também na mucosa nasal, o termo utilizado é rinossinusite aguda.
A doença tem início súbito e, na maioria dos casos, evolui de forma favorável com tratamento adequado. No entanto, quando não tratada corretamente, pode progredir para a sinusite crônica ou provocar complicações mais graves, como abscesso orbital ou meningite.
Causas da sinusite aguda
A causa mais frequente da sinusite aguda é a infecção viral, geralmente associada ao resfriado comum. Quando os sintomas persistem por mais de 10 dias sem melhora, ou quando há piora após uma melhora inicial, suspeita-se de infecção bacteriana secundária. Entre os principais microrganismos envolvidos estão Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis.
Outros fatores que podem predispor ao desenvolvimento da sinusite aguda incluem:
- Rinite alérgica: a inflamação crônica da mucosa nasal favorece o acúmulo de secreção nos seios da face.
- Desvio de septo nasal: obstrui o fluxo natural de ar e secreção pelas fossas nasais.
- Pólipos nasais: bloqueiam os óstios de drenagem dos seios paranasais.
- Tabagismo: compromete o sistema de defesa das vias aéreas superiores.
- Imunossupressão: aumenta a suscetibilidade a infecções.
- Natação ou mergulho: facilita a entrada de água e microrganismos nos seios da face.
Sintomas da sinusite aguda
O quadro clínico da sinusite aguda é caracterizado por um conjunto de sintomas que, avaliados em conjunto pelo otorrinolaringologista, permitem o diagnóstico clínico. Os principais sintomas incluem:
- Dor ou pressão facial: geralmente localizada na região das bochechas (sinusite maxilar), testa (sinusite frontal) ou ao redor dos olhos (sinusite etmoidal). A dor tende a piorar ao se inclinar para frente.
- Obstrução nasal: dificuldade para respirar pelo nariz, causada pelo edema da mucosa.
- Secreção nasal purulenta: coriza espessa, de coloração amarelada ou esverdeada, indicativa de infecção bacteriana.
- Redução do olfato: a hiposmia ou anosmia podem ocorrer em razão da obstrução nasal intensa.
- Febre: presente especialmente nas formas bacterianas, costuma ser de baixa intensidade.
- Tosse: provocada pelo gotejamento pós-nasal de secreção para a garganta.
- Cefaleia: dor de cabeça intensa e persistente, que pode irradiar para diferentes regiões do crânio.
- Halitose: mau hálito decorrente da secreção acumulada e da proliferação bacteriana.
Como o otorrinolaringologista diagnostica a sinusite aguda?
O diagnóstico da sinusite aguda é fundamentalmente clínico. O otorrinolaringologista realiza uma anamnese detalhada, investigando o histórico de sintomas, sua duração, intensidade e fatores desencadeantes. Em seguida, procede ao exame físico, que inclui a rinoscopia anterior (exame direto das fossas nasais) e a palpação das áreas de projeção dos seios paranasais para avaliar a presença de dor à compressão.
Em casos selecionados, especialmente quando há suspeita de complicações ou quando os sintomas não respondem ao tratamento inicial, o otorrinolaringologista pode solicitar exames complementares:
- Nasofibrolaringoscopia: endoscopia nasal que permite visualizar diretamente o interior das fossas nasais e a drenagem dos seios paranasais.
- Tomografia computadorizada dos seios da face: exame de imagem de alta precisão, indicado nos casos de sinusite recorrente, suspeita de complicação ou quando se planeja intervenção cirúrgica.
- Cultura de secreção nasal: útil para identificar o microrganismo causador e orientar a antibioticoterapia nos casos refratários.
Tratamento da sinusite aguda
O tratamento da sinusite aguda depende da etiologia (viral ou bacteriana) e da gravidade do quadro clínico. O otorrinolaringologista avalia cada caso individualmente para determinar a abordagem terapêutica mais adequada.
Tratamento da sinusite aguda viral
Como a maioria dos casos de sinusite aguda tem origem viral e evolui para a cura espontânea em até 10 dias, o tratamento inicial é sintomático e inclui:
- Lavagem nasal com solução salina isotônica ou hipertônica: auxilia na desobstrução nasal, na remoção de secreções e na melhora do transporte mucociliar.
- Descongestionantes nasais: sprays ou gotas de uso tópico, com uso limitado a 3 a 5 dias para evitar o efeito rebote.
- Analgésicos e anti-inflamatórios: para alívio da dor facial, cefaleia e febre.
- Corticosteroide nasal tópico: reduz o edema da mucosa e melhora a drenagem dos seios paranasais.
- Hidratação adequada e repouso: fundamentais para a recuperação do sistema imunológico.
Tratamento da sinusite aguda bacteriana
Quando há evidências de infecção bacteriana — como sintomas com duração superior a 10 dias sem melhora, piora após melhora inicial ou sintomas graves desde o início —, o otorrinolaringologista pode indicar o uso de antibioticoterapia. A amoxicilina com clavulanato é frequentemente a primeira escolha terapêutica. O curso do tratamento costuma durar entre 5 e 10 dias, dependendo da resposta clínica.
Quando procurar o otorrinolaringologista?
É fundamental buscar atendimento especializado com o otorrinolaringologista nas seguintes situações:
- Sintomas que persistem por mais de 10 dias sem melhora.
- Febre alta (acima de 39°C) associada a dor facial intensa.
- Inchaço ao redor dos olhos ou fronte.
- Alterações visuais ou dor ocular.
- Rigidez de nuca ou confusão mental (sinais de possível complicação intracraniana).
- Episódios recorrentes de sinusite (mais de 4 vezes por ano).
- Ausência de melhora após o uso de antibióticos.
Sinusite aguda x sinusite crônica: qual a diferença?
A principal distinção entre a sinusite aguda e a sinusite crônica está na duração dos sintomas. Enquanto a sinusite aguda tem duração de até 4 semanas, a sinusite crônica persiste por mais de 12 semanas, mesmo com tratamento adequado. A sinusite crônica frequentemente está associada a fatores anatômicos ou inflamatórios subjacentes, como desvio de septo ou pólipos nasais, e pode requerer tratamento cirúrgico.
Prevenção da sinusite aguda
Algumas medidas podem reduzir o risco de desenvolver sinusite aguda:
- Lavar as mãos com frequência para prevenir infecções virais.
- Evitar ambientes com fumaça de cigarro e poluentes aéreos.
- Controlar alergias nasais com acompanhamento médico regular.
- Realizar lavagem nasal diária com solução salina, especialmente em épocas de maior circulação de vírus respiratórios.
- Manter boa hidratação para fluidificar as secreções nasais.
- Tratar adequadamente condições anatômicas predisponentes, como desvio de septo.
Consulte o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo
Se você apresenta sintomas de sinusite aguda ou sofre de episódios frequentes de infecções nos seios da face, agende uma consulta com o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo. Com diagnóstico preciso e tratamento individualizado, é possível resolver o quadro agudo e tratar os fatores predisponentes para evitar recorrências.