Teste da Orelhinha: o que é, como funciona e o papel do otorrinolaringologista

O teste da orelhinha é obrigatório por lei e detecta perda auditiva em recém-nascidos. Saiba como funciona, o que significa falhar e qual o papel do otorrinolaringologista no diagnóstico.

O teste da orelhinha, denominado tecnicamente como Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), é um exame simples, indolor e de fundamental importância para a detecção precoce de perda auditiva em recém-nascidos. Realizado ainda na maternidade, nos primeiros dias de vida do bebê, o teste permite identificar alterações auditivas que, se não tratadas precocemente, podem comprometer o desenvolvimento da linguagem, da fala e do aprendizado da criança.

O que é o teste da orelhinha?

O teste da orelhinha é um procedimento de triagem auditiva que avalia a integridade da via auditiva periférica do recém-nascido. Baseia-se no registro das Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA) e/ou do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automático (PEATE-A). O exame é rápido (leva de 5 a 10 minutos), indolor, não invasivo e pode ser realizado enquanto o bebê dorme.

No Brasil, o teste da orelhinha é obrigatório por lei desde 2010 (Lei nº 12.303), devendo ser realizado gratuitamente em todos os hospitais e maternidades públicas e privadas. O objetivo é identificar precocemente bebês com perda auditiva bilateral de grau moderado a profundo, possibilitando intervenção antes dos 6 meses de vida — período crítico para o desenvolvimento da linguagem.

Como o teste da orelhinha é realizado?

O teste da orelhinha é realizado por fonoaudiólogos ou profissionais treinados, geralmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida do bebê, antes da alta hospitalar. O procedimento envolve:

  • Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE): uma pequena sonda com microfone é inserida delicadamente no canal auditivo do bebê. A sonda emite sons de baixa intensidade e capta as emissões acústicas produzidas pelas células ciliadas externas da cóclea em resposta ao estímulo sonoro. O resultado é interpretado como “passa” (presente) ou “falha” (ausente).
  • PEATE-A (Potencial Evocado Auditivo Automático): utiliza eletrodos fixados na cabeça e na orelha do bebê para medir a atividade elétrica gerada pelo sistema auditivo em resposta a estímulos sonoros. É o método preferido para recém-nascidos que passaram por UTI neonatal, pois detecta alterações tanto na cóclea quanto no nervo auditivo e tronco encefálico.

O que significa quando o bebê “falha” no teste da orelhinha?

Um resultado de “falha” no teste da orelhinha não significa necessariamente que o bebê tem perda auditiva permanente. Diversas situações podem levar a um falso-positivo, como:

  • Presença de líquido amniótico ou vérnix caseoso no canal auditivo.
  • Bebê agitado ou chorando durante o exame.
  • Ruído ambiental excessivo no momento da testagem.
  • Plugue de cerume no canal auditivo externo.

Por isso, quando o resultado é “falha”, o protocolo recomendado é refazer o exame em até 30 dias. Se a falha persistir, o bebê deve ser encaminhado para avaliação auditiva completa com o otorrinolaringologista, que irá realizar uma bateria de exames diagnósticos para confirmar ou descartar a perda auditiva.

Quais exames são realizados após a falha no teste da orelhinha?

Após falha confirmada no teste da orelhinha, o otorrinolaringologista solicita exames complementares para determinar o tipo, o grau e a configuração da perda auditiva:

  • Audiometria de reforço visual (VRA): avalia crianças de 6 meses a 2 anos de idade.
  • Audiometria lúdica: para crianças de 2 a 5 anos, utilizando jogos e atividades condicionadas.
  • PEATE diagnóstico (ABR): potencial evocado auditivo de tronco encefálico com análise detalhada das ondas.
  • Imitanciometria: avalia a função da orelha média e identifica otites e outras condições condutivas.
  • Potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMP): avalia o sáculo e o nervo vestibular.
  • Tomografia computadorizada e ressonância magnética: avaliam a anatomia do ouvido interno e nervos auditivos, fundamentais para planejamento do implante coclear.

Importância do diagnóstico precoce da perda auditiva

O diagnóstico precoce da perda auditiva tem impacto fundamental no desenvolvimento da criança. Estudos científicos demonstram que bebês diagnosticados e tratados antes dos 6 meses de vida apresentam desenvolvimento de linguagem equiparado às crianças com audição normal. O tratamento precoce inclui adaptação de aparelhos auditivos, estimulação auditiva, acompanhamento fonoaudiológico e, nos casos indicados, o implante coclear.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 34 milhões de crianças no mundo vivem com perda auditiva incapacitante, e a triagem neonatal universal é a estratégia mais eficaz para reduzir o impacto desse problema de saúde pública.

Fatores de risco para perda auditiva neonatal

Alguns bebês apresentam maior risco de perda auditiva e devem passar por acompanhamento audiológico mesmo quando o teste da orelhinha apresenta resultado “passa”. Os principais fatores de risco são:

  • Histórico familiar de perda auditiva congênita.
  • Infecções congênitas (TORCH): toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, sífilis.
  • Hiperbilirrubinemia grave (icterícia neonatal severa).
  • Prematuridade (menos de 32 semanas de gestação).
  • Baixo peso ao nascer (menos de 1.500 g).
  • Uso de medicamentos ototóxicos (aminoglicosídeos, furosemida).
  • Anóxia perinatal grave.
  • Síndromes associadas à perda auditiva (Down, Treacher Collins, Waardenburg).
  • Internação em UTI neonatal por mais de 5 dias.

Acompanhamento com o otorrinolaringologista pediátrico

O otorrinolaringologista tem papel central no manejo da perda auditiva infantil, desde o diagnóstico até a indicação de tratamento e acompanhamento a longo prazo. Se o seu filho não realizou o teste da orelhinha ou apresentou resultado alterado, não hesite em buscar avaliação especializada. O tratamento iniciado precocemente faz toda a diferença no desenvolvimento da criança.

Consulte o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo

O Dr. Lucas Miranda é otorrinolaringologista em São Paulo com experiência no atendimento de crianças com alterações auditivas. Se o seu filho falhou no teste da orelhinha ou se você tem dúvidas sobre a saúde auditiva do seu bebê, agende uma consulta para avaliação completa e orientações sobre as melhores condutas terapêuticas.

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