A papilomatose respiratória recorrente (PRR), também conhecida como papiloma laríngeo, é uma doença causada pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano) que acomete as vias aéreas superiores, especialmente a laringe. Embora seja uma condição rara, pode ser potencialmente grave em crianças e adultos, exigindo acompanhamento especializado pelo otorrinolaringologista. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida do paciente.
O que é a papilomatose respiratória recorrente?
A papilomatose respiratória recorrente é uma doença proliferativa benigna das vias aéreas causada principalmente pelos subtipos 6 e 11 do HPV. Caracteriza-se pelo crescimento de papilomas — lesões verrucosas semelhantes a verrugas — na laringe, mais precisamente nas cordas vocais, embora possam surgir em qualquer parte do trato respiratório, desde a nasofaringe até os brônquios e pulmões.
Existem duas formas da doença, classificadas de acordo com a faixa etária de início:
- Papilomatose juvenil (forma infantil): diagnosticada antes dos 12 anos, geralmente mais agressiva, com maior número de recidivas e risco de extensão para o trato respiratório inferior.
- Papilomatose do adulto: com início após os 20 anos, costuma ter evolução mais branda, mas ainda requer tratamento e monitoramento regulares.
Como ocorre a transmissão do papiloma laríngeo?
A transmissão da papilomatose respiratória recorrente ocorre por contato direto com o HPV. Na forma juvenil, a infecção acontece por transmissão vertical — da mãe para o bebê durante o parto vaginal quando a mãe tem condilomas genitais ativos. Na forma adulta, a transmissão é frequentemente relacionada ao contato orogenital.
É importante ressaltar que a vacinação contra o HPV é a principal estratégia de prevenção tanto para o condiloma genital quanto para a papilomatose respiratória. A vacina HPV quadrivalente, disponível no calendário vacinal do SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, que são os responsáveis pela maioria dos casos de papilomatose e de câncer associado ao vírus.
Sintomas da papilomatose respiratória recorrente
Os sintomas da papilomatose respiratória recorrente dependem da localização e do tamanho dos papilomas. Os principais sinais e sintomas incluem:
- Rouquidão progressiva ou voz rouca: é o sintoma mais comum, causado pelo comprometimento das cordas vocais. Em crianças, pode ser o primeiro e único sintoma por meses.
- Disfonia: alteração da qualidade vocal, podendo variar de leve rouquidão até ausência de voz (afonia).
- Dificuldade respiratória progressiva: ocorre quando os papilomas crescem o suficiente para obstruir a via aérea laríngea. Pode evoluir para dispneia em repouso e estridor (ruído respiratório agudo).
- Tosse crônica: frequente em pacientes com extensão traqueobrônquica da doença.
- Alterações na deglutição: em casos com envolvimento supraglótico.
Em crianças, a rouquidão progressiva associada a dificuldade respiratória deve sempre motivar avaliação urgente pelo otorrinolaringologista, pois a obstrução das vias aéreas pode ser grave e de rápida progressão.
Como o otorrinolaringologista diagnostica a papilomatose respiratória?
O diagnóstico da papilomatose respiratória recorrente é estabelecido pelo otorrinolaringologista por meio de exames endoscópicos das vias aéreas. O principal exame é a nasofibrolaringoscopia, que permite a visualização direta da laringe, cordas vocais e estruturas adjacentes. As lesões papilomatosas apresentam aspecto característico de nódulos esbranquiçados ou avermelhados, com superfície irregular e textura verrucosa.
A confirmação diagnóstica definitiva é obtida por biópsia das lesões, com análise histopatológica e identificação do tipo de HPV por biologia molecular. O estadiamento da doença segue a escala de Derkay, que classifica a extensão e a gravidade da papilomatose nas vias aéreas.
Tratamento da papilomatose respiratória recorrente
Atualmente, não existe tratamento curativo definitivo para a papilomatose respiratória recorrente. O objetivo do tratamento é remover as lesões, manter a permeabilidade das vias aéreas, preservar a qualidade vocal e reduzir a frequência das recidivas.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia de remoção dos papilomas por microlaringoscopia de suspensão com laser CO₂ ou com o sistema de desbridamento (microdebridador) é o padrão-ouro do tratamento. O procedimento é realizado sob anestesia geral, com visualização endoscópica, removendo as lesões com preservação máxima das estruturas normais. Infelizmente, a recorrência é regra na maioria dos casos, podendo exigir múltiplas intervenções cirúrgicas ao longo dos anos.
Tratamentos adjuvantes
Nos casos com doença agressiva, alto número de recidivas ou extensão traqueobrônquica, o otorrinolaringologista pode indicar tratamentos adjuvantes associados à cirurgia, como:
- Cidofovir intralesional: antiviral injetado diretamente nas lesões durante a cirurgia, capaz de reduzir a frequência das recidivas.
- Bevacizumabe intralesional: anticorpo monoclonal antiangiogênico que reduz a vascularização dos papilomas.
- Interferon: imunomodulador sistêmico utilizado em casos graves, especialmente na forma juvenil agressiva.
Risco de malignização da papilomatose laríngea
Embora a papilomatose respiratória recorrente seja classificada como uma lesão benigna, existe risco de transformação maligna em carcinoma escamoso da laringe, especialmente nos casos associados ao subtipo HPV 11 e nos pacientes submetidos a radioterapia. Por essa razão, o acompanhamento regular com o otorrinolaringologista e a realização de biópsias periódicas são fundamentais para detectar precocemente qualquer sinal de progressão maligna.
Prevenção da papilomatose respiratória
A principal medida preventiva é a vacinação contra o HPV, que protege contra os subtipos 6 e 11, responsáveis pela maioria dos casos de papilomatose. Segundo dados da INCA (Instituto Nacional de Câncer), a vacina HPV é altamente eficaz quando administrada antes da exposição ao vírus. Além da vacina, o uso de preservativos e o rastreamento ginecológico regular das mulheres grávidas para condilomas genitais contribuem para reduzir a transmissão vertical do HPV.
Consulte o Dr. Lucas Miranda, otorrinolaringologista em São Paulo
Se você ou seu filho apresentam rouquidão progressiva, alterações vocais persistentes ou qualquer sintoma sugestivo de comprometimento das vias aéreas, procure avaliação urgente com o otorrinolaringologista. O Dr. Lucas Miranda realiza o diagnóstico completo da papilomatose respiratória recorrente e indica o tratamento mais adequado para cada caso, com foco na preservação da voz e da qualidade de vida.