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Lavagem nasal com seringa: como fazer do jeito certo

5 de novembro de 2026 · 4 min de leitura · por Dr. Lucas Miranda

Flaconetes plásticos de soro sobre fundo azul · imagem ilustrativa

A lavagem nasal com seringa é feita com soro fisiológico e seringa sem agulha, com a cabeça inclinada para frente e o jato suave, voltado para a lateral da narina. O soro limpa a secreção e hidrata a mucosa.

A lavagem nasal com seringa é uma forma simples e barata de limpar o nariz, usada como apoio no cuidado de rinites, sinusites e no pós-operatório nasal. Feita da maneira errada, porém, ela pode arder, causar dor de ouvido ou levar secreção e contaminação para o lugar errado. Estas são as orientações gerais. Em bebês, crianças pequenas e depois de cirurgia, siga o que foi indicado pelo seu médico.

Para que serve a lavagem nasal?

O soro remove muco, alérgenos e irritantes, além de umedecer a mucosa. A técnica é usada, por exemplo, na rinite, na sinusite e no pós-operatório nasossinusal. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria lembra que a eficácia é sugerida pela prática, embora ainda faltem estudos de alto nível de evidência em algumas indicações. Ou seja: ajuda, mas não substitui o tratamento da causa.

Qual a forma correta de fazer lavagem nasal com seringa?

  1. Lave as mãos e separe uma seringa limpa, sem agulha, com o soro em temperatura ambiente ou levemente morno.
  2. Aspire o soro e incline o tronco para frente, sobre a pia, com a cabeça virada para um lado.
  3. Encoste a ponta da seringa na entrada da narina que estiver para cima, apontando para a parede lateral, nunca para o septo.
  4. Abra a boca, diga "aaa" e aplique o soro com pressão suave e contínua, sem forçar.
  5. Deixe o líquido sair pela outra narina ou pela boca. Cuspa o que descer.
  6. Repita do outro lado e assoe o nariz devagar, uma narina de cada vez.

Quantos mL de soro usar?

A referência brasileira da SBP é voltada para crianças e indica seringa de 5 a 20 mL acima de 2 anos, e de 3 a 20 mL entre 6 meses e 2 anos, em geral 2 a 3 vezes ao dia. Abaixo de 6 meses, os volumes são bem menores, e o método deve ser orientado pelo pediatra.

Em adultos, é frequente o uso de seringa de 20 mL em cada narina, ou de frascos próprios de maior volume, mas a quantidade e a frequência devem ser ajustadas pelo médico conforme o objetivo do tratamento.

Qual soro usar: pronto ou caseiro?

O soro fisiológico a 0,9% é a opção mais simples e bem tolerada. Soluções hipertônicas, mais concentradas, podem causar mais ardor e devem ser usadas apenas com indicação.

O ponto mais importante é a água. Não use água direto da torneira. Para preparar a solução, a orientação é usar água fervida por pelo menos 1 minuto, filtrada em filtro adequado ou estéril. O guia da SBP cita a proporção de 9 g de sal para 1 litro de água fervida e filtrada, com armazenamento em geladeira por no máximo 7 dias. Quem preferir pode usar soro pronto, em flaconetes de dose única.

Quando a lavagem nasal não sai do outro lado?

Se o soro não sai pela outra narina, é provável que o nariz esteja muito obstruído por inchaço, secreção ou alteração anatômica, como desvio de septo. Não aumente a pressão para vencer a resistência. Tente novamente com a cabeça em outro ângulo e, se o problema se repetir, procure avaliação. Quando o soro desce pela garganta, geralmente é a inclinação da cabeça que precisa de ajuste, e dizer "aaa" ajuda.

Quais cuidados evitam problemas?

  • Use a seringa só para você, lave depois do uso e troque com frequência, seguindo a orientação do fabricante.
  • Descarte o soro se tiver mudado de cor ou passado do prazo.
  • Não adicione medicamentos à solução sem prescrição.
  • Evite lavagens em excesso, que podem reduzir a proteção natural do muco.
  • Não assoe com força logo depois, para não levar soro à tuba auditiva.

Quando não fazer lavagem nasal sem orientação?

A lavagem pede avaliação antes em caso de suspeita de corpo estranho no nariz, dificuldade para engolir, fissura palatina, fraturas faciais ou defeitos da base do crânio. Procure orientação também se sentir dor de ouvido, sangramento ou dor de cabeça depois da lavagem, ou se o nariz continuar entupido. Sintomas persistentes podem indicar rinite medicamentosa, pólipos ou desvio de septo, e a avaliação otorrinolaringológica define o tratamento.

Perguntas frequentes

Sim, ela ajuda a remover e fluidificar a secreção no nariz. O catarro que vem dos pulmões, porém, não é tratado com lavagem nasal.

Pode ser indicada em períodos de sintomas ou como parte de um tratamento. Não há evidência forte de benefício do uso diário apenas como prevenção, por isso combine a frequência com seu médico.

Pode, se o jato for forte ou se a pessoa assoar com força logo depois. Reduza a pressão e, se a dor persistir, procure avaliação.

Em bebês, o volume, o dispositivo e a posição dependem da idade. Siga a orientação do pediatra, porque a técnica é diferente da usada em adultos.

Para preparar a solução, a recomendação é usar água fervida e resfriada, estéril ou com filtragem adequada. Na dúvida, prefira soro fisiológico pronto.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Para avaliação do seu caso, veja o tratamento de rinite em São Paulo com o Dr. Lucas Miranda, no Itaim Bibi.

Sobre o autor

Dr. Lucas Miranda — CRM-SP 207609 · RQE 133.289

Otorrinolaringologista com Residência no Hospital CEMA, Fellowship em Rinologia e aprimoramento em Medicina do Sono. Atende no Itaim Bibi, em São Paulo.

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